terça-feira, 17 de maio de 2011

Balões

Como todos sabem, eu solto pipas.
Minhas pipas estão sempre voando pelo céu.
Cada uma mais diferente do que a outra, mas todas importantes.
Algumas eu carrego perto de mim.
Outras já deixo planar soltas.
E nesse ritmo, vou aprendendo a cuidar delas.

Nesses últimos dias, percebo uma transformação em algumas de minhas pipas.
De pedaços de papel-seda, viraram balões de ar.
A princípio, todos esses balões pareciam cheios e se destacavam entre as minhas pipas coloridas.
De repente, eles começaram a se deformar.
Murcharam.
Seu brilho e suas cores se perderam no caminho.
Será que eu lamento a perda?

Acho que não lamento o que ocorreu.
Sinto mais a possibilidade de outras pipas se tornarem balões.
Não quero que isso aconteça.
Não sei como seria a minha vida assim.
No entanto, tenho consciência que não posso fazer nada para impedir.

Enfim, continuarei a jornada.
Tenho que me acostumar com a presença dos balões.
Afinal, as pipas se sobrepõem em grande número.
E no final das contas, é isso que importa.

Preparados para Aracaju?


‎"Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser..."

(Álvaro de Campos)

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