E o inverno chegou...
Estranho e tenso em uma madrugada gelada na cidade...
Alguns sinais foram dados, mas na minha ânsia por viver não os percebi.
Quando você é acordado por tiros em sua rua de madrugada, é sinal de que o dia não será bom.
Quando você acorda passando mal, é sinal de que o dia não será bom.
Quando você abre seu e-mail e sente algo estranho, é sinal de que o dia não será bom.
Curiosidade ou medo? Passado, presente ou futuro?
Atitudes equivocadas. Perguntas feitas ao vento. As respostas vieram junto com as nuvens. Respostas sombrias, mas verdadeiras. Isso não há como negar.
O sol se pôs, a alegria também.
Lembranças de um passado recente me fizeram experienciar algo que jurei que nunca mais viveria.
Ah, mas eu sou um tolo. Sou tolo por achar que as coisas são tão belas quanto parecem ser. Sou tolo por traçar caminhos incertos em nuvens de algodão.
Ao telefone, mais más notícias vindo. O que fazer? Como ajudar?
Não há o que fazer. Tenho que apoiar e crer que as coisas irão melhorar.
Crer. Essa foi a palavra do dia. Acreditar. Fé.
E os anjos apareceram no momento exato. Trouxeram conforto e esperança, como sempre o fazem. Deram um abraço virtual de que eu precisava.
Ao final do dia, coração tranquilo, mente nem tanto.
Um novo dia raiou e voltei a ascendente.
Trabalho realizado. Monografia quase terminada.
Será? Será? Diploma a vista?
E a alegria voltou. Rir da desgraça dos outros não é legal, mas não deu para segurar.
O meu prédio virou circo. Faróis acesos, duelo formado e uma platéia animada.
Começado o cabo-de-guerra, quem será o vencedor? O correto ou a errada?
E o show ficou completo. Polícia na parada e veio a ordem.
Gritos e xingamentos no ar!
A errada saiu.
Você pensa que a festa acabou? Nada! A festa continuou...
É a vida, um dia subindo, outro descendo. Mas sempre em movimento, sempre caminhando ora acompanhado ora sozinho.
Troco o CD. Tiro o samba e ligo na FM.
Qual música será tocada? Não sei, aguardem e verão...
Minha homenagem a um gênio que se foi:
"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
(José Saramago)
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