Nesses últimos dias, meus amigos têm confiado a mim seus maiores segredos.
São medos, angústias, alegrias, revelações...
Tenho ouvido de tudo um pouco.
Mas o que eu faço com isso?
É muita responsabilidade para uma pessoa só.
Estou me sentindo uma caixa d´água que está prestes a entornar. O fluxo de entrada de água só aumenta, mas a saída não é encontrada.
A solução?
Vou esvaziá-la. Botarei tudo que é irrelevante para fora...
- Você foi pago para fazer isso. E com isso minha revolta só aumenta. Depois sou eu que estou errado. Sua culpa é mínima agora, mas no futuro você verá o monstro que criou... (ligo o liquidificador e trituro)
- Não sei se você está certo ou errado. Como você quer tomar as rédeas de sua vida se as suas decisões sempre passam pelo crivo dos outros? Aja! Arrisque! Olhe para o outro lado! (ligo o liquidificador e trituro)
- Ele está afim e você não percebeu? Cadê a suposta mulher? Tu és uma garotinha em determinados assuntos. Sua experiência de nada vale quando a vida se apresenta tal como ela é... (ligo o liquidificador e trituro)
- Como você é capaz de me julgar? Estamos no mesmo nível, rapaz. Não sou melhor, nem pior que você. Veja isso! (ligo o liquidificador e trituro)
Pronto. Os segredos viraram pó. O vento levou e ninguém nunca os achará.
Mas minha cabeça não ficou leve.
Ainda tenho os meus segredos, meus medos, meus pensamentos mais loucos...
Quem os ouvirá?
Silêncio.
Abrem-se as cortinas e a plateia está vazia.
Iniciarei, então, meu monólogo.
Só me resta pegar o liquidificador novamente e triturar na maior velocidade possível...
- Ele voltou. Ele sempre volta. Como eu já falei: somos dançarinos de tango e esse é o nosso destino...
- Papo leve e descompromissado. Não se falou no elefante vermelho e preto na sala. Será que só eu vi o tal do elefante? Ou a tendência é o elefante crescer e expulsar um de nós da sala? Na dúvida, fico com a segunda opção...
- Sou pretensioso? Não sei. Há controvérsias. Eu apenas quero o fim. Isso me basta...
E assim, o rio volta a correr.
As águas que por aqui passaram não tornarão a aparecer...
Mas ele permanece. Sim, o superego nunca falha...
Enquanto ele dita as regras do jogo, deito no colo e vejo a Julieta esperando uma nova Carta para responder. Tranquila e bela como sempre...
Boa semana patriótica para todos!
Uma das músicas da minha vida:
“Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor
Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador
Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor...”
(Codinome Beija-flor - Cazuza)
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