Somos dançarinos de tango.
Dançamos, dançamos e dançamos sem parar.
Ora o ritmo aumenta, ora o ritmo diminui.
A dança começou numa noite preta. Eu ansioso e você me confundindo.
Sorrisos no início, distanciamento no final.
Você me procurou e eu já tinha sumido no meio da fumaça.
Passaram-se alguns meses e quem nos impedia tinha ido embora.
Dançamos tango e deitamos no divã.
Mas dançarino que é dançarino, não para de bailar.
Ah, mas como é bom dançar!
Você me visitou e eu acreditei.
Não sei em que eu acreditei, mas te asseguro que eu acreditei.
Me envolvi com as marcações da música e não percebi o filme mudando.
Criamos uma casa no lago e você repousou.
Passado e futuro, tudo misturado, tudo em um só momento.
A vingança veio, forte e inesquecível.
Olhei e você repousava.
Já era noite, abaixamos a música e nos conhecemos.
Anseio por noites tão belas como aquela.
Raiou um novo dia, raiou uma esperança.
Mas a esperança não durou muito.
Tudo mudou rapidamente. Tudo se transformou.
Senti o baque, mas não parei de dançar tango.
Enquanto soltava pipa com você, novas pessoas entraram no ritmo do tango.
Ah, mas ninguém te supera!
Ou melhor, ninguém supera a nossa dança.
Somos mestres na arte de seduzir.
Trocamos olhares diretos. Sabemos o que o outro quer.
Por isso, nos entendemos.
Nossa, se eu tivesse tido esse insight antes!
Sabemos que nunca passaremos de dançarinos de tango.
Mas isso nunca nos impedirá de aumentar o volume e continuar dançando.
Dancemos, então!
Dois dançarinos, belos e felizes, vivendo a vida ao som de Gardel.
Pensando melhor, acho que prefiro dançar um samba mais sossegado...
"Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho..."
(O Leãozinho - Caetano Veloso)
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